Capítulo Onze: Controle de Impulsos




<< Capítulo 010

– Lisa Turpin!

Sussurro sussurro sussurro harry potter sussurro sussuro sonserina sussurro sussurro não, sério, que diabos foi aquilo sussurro sussurro

“CORVINAL!”

Harry se juntou aos aplausos congratulatórios à jovem que caminhava tímida em direção à mesa da Corvinal, a barra de suas vestes agora transformadas em azul escuro. Lisa Turpin parecia dividida entre o impulso de se sentar o mais longe possível de Harry Potter, e o impulso de correr até ele, se enfiar à força do seu lado e começar a interrogá-lo.

Estar no centro de um evento extraordinariamente curioso e então ser colocado na Casa Corvinal era bem próximo à experiência de ser mergulhado em molho de churrasco e arremessado a uma ninhada de gatinhos famintos.

– Eu prometi ao Chapéu Seletor que não falaria disso – sussurrou Harry pela enésima vez.

– Sim, é verdade.

– Não, eu realmente prometi ao Chapéu Seletor que não falaria a respeito disso.

– Certo, eu prometi ao Chapéu Seletor que não falaria da maior parte do que aconteceu e o resto é particular igual foi para vocês então parem de perguntar.

– Você quer saber o que aconteceu? Está bem! Isto foi parte do que aconteceu! Eu disse pro Chapéu que a professora McGonagall ameaçou colocar fogo nele e ele me disse pra falar pra professora McGonagall que ela era uma jovenzinha atrevida e pra sair do gramado dele!

– Se você não vai acreditar no que eu falei, então por que está me perguntando?

– Não, eu também não sei como eu derrotei o Lorde das Trevas! Me diga se um dia você descobrir!

Silêncio! – Gritou a professora McGonagall do pódio da mesa dos professores. – Nada de falatório até que a Cerimônia de Seleção termine!

O volume das vozes baixou brevemente, e todos aguardaram para ver se ela faria alguma ameaça específica e crível, e então os sussurros recomeçaram.

Então, o ancião de barbas prateadas se levantou de sua cadeira dourada, sorrindo alegremente.

O silêncio foi instantâneo. Alguém dava cotoveladas frenéticas em Harry quando ele tentou continuar um sussurro, e Harry se interrompeu.

O homem de rosto alegre voltou a se sentar.

Nota para mim mesmo: Não se meta com o Dumbledore.

Harry ainda tentava processar tudo o que acontecera durante o Incidente com o Chapéu Seletor. Não menos importante fora o que acontecera no instante em que Harry erguera o Chapéu de sua cabeça; naquele momento, ele ouvira um sussurro baixinho, como se viesse de lugar nenhum, algo que soava estranhamente como inglês e um sibilar ao mesmo tempo, algo que disse: “Ssaudaçõess de ssonserino para ssonserino; sse dessejar busscar meuss ssegredoss, fale com minha sserpente.

Harry havia adivinhado que aquilo não era parte do processo de seleção oficial. Julgou que era talvez um encantamento extra lançado por Salazar Sonserina durante a fabricação do Chapéu. E que o próprio Chapéu não sabia a respeito disso. E que aquilo ocorrera porque o Chapéu disse “SONSERINA”, com algumas condições a mais ou a menos. E que um corvinal, como ele, realmente não deveria ter ouvido aquilo. E que se ele pudesse encontrar uma forma segura de fazer Draco jurar segredo para que pudesse questioná-lo, que seria um ótimo momento para ter uma latinha de Chá-Cilada à mão.

Vou te falar, você resolve não seguir o caminho de um Lorde das Trevas, e o universo começa a zoar com você no momento que o Chapéu sai da sua cabeça. Alguns dias simplesmente não dá certo lutar contra o destino. Talvez eu deva esperar até amanhã para começar a trabalhar na minha promessa de não me tornar um Lorde das Trevas.

“GRIFINÓRIA!”

Rony Weasley recebeu muitos aplausos, e não apenas dos grifinórios. Aparentemente, a família Weasley era muito popular por ali. Harry, após um momento, sorriu e começou a aplaudir com os outros.

Sabe, nenhum outro dia era melhor que hoje para se desviar do Lado Negro1.

Dane-se o destino, e dane-se o universo. Ele ia mostrar para aquele Chapéu.

– Blaise Zabini!

Pausa.

“SONSERINA!” gritou o chapéu.

Harry aplaudiu Zabini também, ignorando os olhares estranhos que recebia de todos, incluindo o próprio Zabini.

Nenhum outro nome foi chamado depois disso, e Harry percebeu que “Zabini” realmente parecia estar mais para o fim da ordem alfabética. Ótimo, agora ele tinha aplaudido somente o Zabini... ah, bem.

Dumbledore se levantou novamente e começou a caminhar em direção ao pódio. Aparentemente, eles agora receberiam um discurso...

E Harry foi acometido pela inspiração para um teste experimental brilhante.

Hermione dissera que Dumbledore era o bruxo mais forte de todos, certo?

Harry levou a mão à bolsa e sussurrou: “Chá-Cilada”.

Para que o Chá-Cilada funcionasse, teria que forçar Dumbledore a dizer algo tão ridículo durante seu discurso que, mesmo no estado atual de preparação mental de Harry, ele ainda se engasgaria. Algo como, todos os alunos de Hogwarts teriam de andar pelados o ano todo, ou todo mundo seria transformado em gatos.

Mas, se houvesse alguém no mundo que poderia resistir ao poder do Chá-Cilada, seria Dumbledore. Então, se isto funcionasse, o Chá-Cilada era literalmente invencível.

Harry puxou o anel da latinha sob a mesa, tentando não chamar atenção. A lata fez um chiado baixinho. Algumas cabeças se voltaram em sua direção, mas logo voltaram seus olhares para a frente quando...

– Bem-vindos! Bem-vindos a um novo ano escolar em Hogwarts! – disse Dumbledore, olhando feliz os alunos, os braços bem abertos, como se nada pudesse fazê-lo mais feliz do que os ver todos ali.

Harry tomou uma golada de Chá-Cilada e baixou a lata novamente. Ele engoliria o refrigerante um pouquinho de cada vez e tentaria não engasgar não importava o que Dumbledore dissesse...

– Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer algumas palavras. E aqui estão elas: “Feliz feliz boom boom pântano pântano pântano”! Obrigado!

Todos aplaudiram e assobiaram, e Dumbledore se sentou novamente.

Harry ficou congelado ali sentado, refrigerante escorrendo dos cantos da boca. Ele, pelo menos, conseguira se engasgar silenciosamente.

Ele realmente não devia ter feito aquilo. Era incrível o quão óbvio aquilo se tornava apenas um segundo depois de ser tarde demais.

Em retrospecto, ele provavelmente deveria ter percebido que havia algo errado enquanto pensava em todo mundo ser transformado em gatos... ou até antes disso, quando se lembrou de sua nota mental de não se meter com o Dumbledore... ou sua nova resolução de ter mais consideração pelos outros... ou talvez se tivesse tido um mínimo de bom senso...

Não tinha jeito. Ele era podre até o âmago. Viva o Lorde das Trevas Harry. Não dava para lutar contra o destino.

Alguém estava perguntando a Harry se ele estava bem. (Os outros estavam começando a se servir da comida, que havia aparecido magicamente na mesa, tanto faz.)

– Eu tô bem. – disse Harry – Com licença. Umm. Aquilo foi um... discurso normal para o Diretor? Vocês... não pareceram... muito surpresos...

– Oh, o Dumbledore é maluco, claro – disse um corvinal aparentemente mais velho sentado próximo a ele, que se apresentara e cujo nome Harry não se lembrava. – É divertidíssimo, um bruxo incrivelmente poderoso, mas completamente insano. – Ele fez uma pausa. – Eu futuramente quero também te perguntar o porquê de um fluido verde sair dos seus lábios e então desaparecer, mas imagino que tenha prometido ao Chapéu Seletor que não diria nada sobre isso também.

Com um tremendo esforço, Harry manteve o olhar longe da latinha incriminadora de Chá-Cilada em sua mão.

Afinal de contas, o Chá-Cilada não havia arbitrariamente materializado uma manchete d’O Pasquim sobre ele e Draco. Draco explicara tudo de uma forma que parecia que havia acontecido... naturalmente? Como se houvesse alterado o curso da história para que batesse?

Harry se imaginava mentalmente batendo a testa na mesa. Blam, blam, blam, fazia sua cabeça dentro de sua mente.

Outro estudante baixou a voz ao nível de um sussurro e falou:

– Eu ouvi que o Dumbledore é secretamente um gênio por trás de um monte de coisas, e que usa essa história de insanidade como disfarce para que ninguém suspeite dele.

– Também já ouvi isso – sussurrou um terceiro estudante, e vários outros acenaram com a cabeça furtivamente ao redor da mesa.

É claro que isto chamou a atenção de Harry.

– Entendo – sussurrou Harry, baixando a própria voz –, então todo mundo sabe que o Dumbledore é secretamente um gênio do crime.

A maioria dos alunos anuiu. Um ou dois pareceram pensativos, incluindo o que estava ao lado de Harry.

Têm certeza de que esta é a mesa da Corvinal? Harry conseguiu se segurar e não fez a pergunta em voz alta.

– Brilhante! – Harry sussurrou – Se todo mundo sabe, ninguém vai suspeitar que seja um segredo!

– Exatamente! – Sussurrou um dos alunos, e então franziu a testa. – Espera, isso não parece muito certo...

Nota para mim mesmo: o 75º percentil2 dos alunos de Hogwarts, também conhecido como Casa Corvinal, não é o programa para crianças brilhantes mais exclusivo do mundo.

Mas pelo menos aprendera um fato importante hoje. O Chá-Cilada era onipotente. E aquilo significava...

Harry piscou em surpresa, quando sua mente finalmente fez a conexão óbvia.

...aquilo significava que, assim que aprendesse um feitiço que temporariamente alterasse o próprio senso de humor, ele poderia fazer qualquer coisa acontecer, se fizesse com que achasse apenas aquela única coisa suficientemente surpreendente para se engasgar e cuspir o refrigerante, e então tomasse uma latinha de Chá-Cilada.

Bem, esta é uma jornada curta para se tornar uma deidade. Até eu achei que ia levar mais tempo para descobrir como fazer isso do que apenas o primeiro dia de escola.

Pensando nisso, ele também havia completamente devastado Hogwarts apenas dez minutos após começar sua Seleção.

Harry sentia um tanto de remorso por isso – Merlim sabia o que um diretor insano faria com ele pelos próximos sete anos de escola –, mas não podia deixar de sentir um pouquinho de orgulho, também.

Amanhã. Não passaria de amanhã, ele ia largar o caminho que levava ao Harry Lorde das Trevas. Era uma perspectiva que soava mais assustadora a cada minuto.

E, no entanto, de alguma forma, soava cada vez mais atraente. Parte de sua mente já conseguia visualizar os uniformes dos seus capangas.

– Coma – o aluno mais velho ao lado dele rosnou, e cutucou Harry nas costelas. – Não pense. Coma.

Harry automaticamente começou a encher o prato com o que quer que houvesse à sua frente, salsichas azuis com pedacinhos brilhantes, o que fosse.

– No que você estava pensando, na Seleção... – começou a dizer Padma Patil, uma das outras corvinais primeiro-anistas.

– Sem interrupções durante as refeições! – Soou um coro de pelo menos três pessoas. – É regra da Casa! – Um outro acrescentou. – Se não, todos nós morreríamos de fome.

Harry se pegou torcendo com força para que esta nova ideia brilhante não funcionasse de fato. E que o Chá-Cilada funcionasse de alguma outra forma, e não tivesse de verdade o poder onipotente de alterar a realidade. Não é que ele não quisesse ser onipotente. É só que ele não conseguia suportar viver em um universo que realmente funcionasse daquele jeito. Havia algo degradante em subir ao poder através do uso inteligente de um refrigerante.

Mas ele testaria aquilo experimentalmente.

– Sabe, – disse o aluno mais velho ao seu lado em um tom agradável – nós temos um sistema para forçar pessoas como você a comer, gostaria de descobrir qual é?

Harry desistiu e começou a comer sua salsicha azul. Era bem gostosa, especialmente os pedacinhos brilhantes.

O jantar passou com uma rapidez surpreendente. Harry tentou experimentar pelo menos um pouco de cada uma das comidas diferentes que viu. Sua curiosidade não aguentava a possibilidade de não saber o gosto das coisas. Ainda bem que este não era um restaurante onde você tinha que pedir somente uma coisa e nunca descobrir o gosto de todas as outras coisas no menu. Harry odiava aquilo, era como tortura para qualquer um com um mínimo de curiosidade: Solucione apenas um dos mistérios nesta lista, ha ha ha!

E então era hora da sobremesa, para a qual Harry se esquecera completamente de deixar um espacinho. Ele desistiu da ideia após experimentar um pouquinho de nada de torta de melaço. Certamente, todas essas comidas apareceriam pelo menos mais uma vez durante o ano escolar.

Então, o que estava em sua lista de afazeres, além das coisas normais da escola?

A fazer, 1: Pesquisar feitiços que afetam a mente para testar o Chá-Cilada e ver se de fato descobri um caminho para a onipotência. Na verdade, pesquisar todo tipo de magia que puder encontrar. A mente é a fundação do poder dos humanos, e qualquer magia que a afete é do tipo mais importante que existe.

A fazer, 2: Na verdade, este é o número 1, e o outro é o número 2. Passar pelas prateleiras das bibliotecas de Hogwarts e da Corvinal, me familiarizando com o sistema e me certificando de ler pelo menos todos os títulos. Na segunda passagem: ler todos os índices. Coordenar com Hermione, que tem uma memória muito melhor que a minha. Descobrir se há um sistema de empréstimo interbibliotecas em Hogwarts, e ver se nós dois, especialmente Hermione, podemos visitar essas bibliotecas também. Se outras Casas tiverem bibliotecas particulares, descobrir como acessá-las legalmente ou invadi-las.

Opção 3a: Fazer Hermione jurar segredo e começar a pesquisar sobre “De sonserino para sonserino: se desejar buscar meus segredos, fale com a minha serpente.” Problema: isto parece ser altamente confidencial e levaria muito tempo para achar aleatoriamente um livro que tivesse alguma dica.

A fazer, O: Verificar que tipos de feitiços de localização e recuperação de informações existem, se é que existem. Magia para bibliotecas não é tão importante quando magia mental afinal, mas tem uma prioridade mais alta.

Opção 3b: Procurar um feitiço que force Draco Malfoy magicamente a jurar segredo, ou que magicamente verifique a sinceridade da promessa de Draco de manter um segredo (Veritaserum?), e então perguntar a ele sobre a mensagem para sonserinos...

Na verdade... Harry tinha uma sensação muito ruim sobre a opção 3b.

Agora que Harry pensava nisso, ele não se sentia muito bem sobre a opção 3a, também.

Os pensamentos de Harry voltaram para o que provavelmente era o pior momento de sua vida até aquele ponto, aqueles longos segundos de terror congelante sob o Chapéu, quando pensara que já havia falhado. Ele desejara então poder voltar apenas alguns minutos no tempo e mudar alguma coisa, qualquer coisa, antes que fosse tarde demais...

E então, acabou que não era tarde demais, afinal.

Desejo concedido.

Não dava para mudar a história. Mas dava para acertar de cara. Fazer algo diferente logo na primeira tentativa.

Este negócio todo de buscar os segredos da Sonserina... parecia muito com o tipo de coisa que, no futuro, ele olharia para trás e diria “E foi ali que tudo começou a dar errado.”

E ele desejaria desesperadamente ter a habilidade de voltar no tempo e fazer uma escolha diferente...

Desejo concedido. E agora?

Harry abriu um sorriso devagar.

Era uma ideia um tanto contraintuitiva... Mas...

Mas ele podia, não havia regra que o impedisse, ele podia simplesmente fingir que nunca havia ouvido aquele sussurro. Deixar que o universo seguisse exatamente como se aquele momento crucial nunca houvesse acontecido. Vinte anos no futuro, isso seria o que ele desesperadamente desejaria que tivesse acontecido há vinte anos, e acontece que vinte anos antes de vinte anos no futuro era o momento presente. Mudar o passado distante era fácil, você só precisava pensar em mudá-lo na hora certa.

Ou... E isso era ainda mais contraintuitivo... ele poderia até informar, ora, quem sabe, a Professora McGonagall, ao invés de Draco ou Hermione. E ela poderia juntar algumas pessoas talentosas e remover aquele feitiçozinho extra do Chapéu.

Ora, sim. Essa soava como uma ideia extraordinariamente boa, agora que Harry de fato pensara nela.

Tão óbvia em retrospecto, e ainda assim, de alguma forma, as Opções 3c e 3d simplesmente não lhe haviam ocorrido antes.

Harry se premiou com +1 ponto em seu programa Anti-Harry-Lorde-das-Trevas.

Aquela fora uma pegadinha terrivelmente cruel que o Chapéu lhe havia pregado, mas não dava para discutir com os resultados por motivos consequencialistas. E certamente lhe dera um melhor entendimento da perspectiva das vítimas.

A fazer, 4: Se desculpar com Neville Longbottom.

Okay, ele estava indo bem, só precisava continuar assim. Todo dia, de toda forma, irei mais e mais para a Luz...

Quase todos ao redor de Harry haviam parado de comer agora, e as bandejas de sobremesa começaram a desaparecer, assim como os pratos usados.

Quando todos os pratos sumiram, Dumbledore se ergueu mais uma vez.

Harry não pôde evitar sentir vontade de tomar mais Chá-Cilada.

Você SÓ PODE estar brincando, Harry pensou sobre esse lado de si.

Mas o experimento não tinha validade se não fosse replicado, certo? E o dano já estava feito, não estava? Ele não queria ver o que aconteceria desta vez? Não estava curioso? E se obtivesse um resultado diferente?

Ei, aposto que você é a mesma parte do meu cérebro que me levou a pregar a pegadinha com o Neville Longbottom.

Er, talvez?

E não está absolutamente óbvio que se eu fizer isso vou me arrepender um segundo após ser tarde demais?

Hum...

É. Então, NÃO.

– Ahem – pigarreou Dumbledore do pódio, acariciando sua longa barba branca. – Apenas algumas palavras agora que estamos alimentados e saciados. Tenho alguns avisos de início de semestre para dar a vocês.

“Alunos do primeiro ano devem saber que a floresta no território da escola é proibida para todos os alunos. É por isso que se chama Floresta Proibida. Se fosse permitida, se chamaria Floresta Permitida.”

Bem claro. Nota mental: A Floresta Proibida é proibida.

– Além disso, Sr. Filch, o zelador, me pediu para lembrá-los de que não devem usar magia entre as aulas, nos corredores. É claro, todos sabemos que o que deveria ser, e o que é, são duas coisas bem diferentes. Agradeço se mantiverem isto em mente.

Er...

– A seleção para os times de Quadribol acontecerá na segunda semana do semestre letivo. Aqueles interessados em jogar por suas casas devem contatar Madame Hooch. Os interessados em reformular completamente o esporte devem contatar Harry Potter.

Harry inalou a própria saliva e teve um ataque de tosse quando todos os olhos se voltaram para ele. Mas que diabos! Seus olhos não se encontraram com os de Dumbledore em momento algum... ou pelo menos achava isso. E ele com certeza não estava pensando em Quadribol naquele momento! Ele não falara com ninguém além de Rony Weasley, não achava que Rony teria contato para alguém... ou será que Rony havia corrido para um professor para reclamar? Como diabos...

– Adicionalmente, deve informá-los de que, este ano, o corredor do lado direito do terceiro andar está proibido a todos que não desejem uma morte muito dolorosa. Ele está guardado por uma série de armadilhas perigosas e potencialmente letais que vocês não conseguiriam superar, especialmente se estiverem no primeiro ano.

A este ponto, Harry já estava dormente.

– E, finalmente, eu gostaria de agradecer a Quirino Quirrel, por concordar heroicamente em aceitar a posição de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas de Hogwarts. – O olhar de Dumbledore varreu a multidão de estudantes. – Espero que todos os alunos estendam ao Professor Quirrel a máxima cortesia e tolerância que lhe são devidas pelo serviço extraordinário prestado a vocês e a esta escola, e que não nos incomodem com reclamações mesquinhas sobre ele, a não ser que vocês queiram tentar fazer o trabalho dele.

E o que foi isso?

– Agora, cedo o pódio para o novo membro do nosso corpo docente, Professor Quirrel, que gostaria de dizer algumas palavras.

O homem jovem, magro, e apreensivo que Harry encontrara pela primeira vez n’O Caldeirão Furado seguiu lentamente para o pódio, lançando olhares amedrontados para todas as direções. Harry viu de relance a parte de trás da cabeça dele, e parecia que o professor já estava ficando calvo, apesar da aparente juventude.

– Imagino o que há de errado com ele – falou baixinho o aluno mais velho sentado ao lado de Harry. Comentários similares foram trocados aos sussurros por toda a mesa.

O Professor Quirrel chegou ao pódio, e ficou ali em silêncio, contorcendo-se ocasionalmente.

– Ah, que ótimo – sussurrou o vizinho de assento –, parece que teremos outro longo ano de Defesa Contra as Artes das Trevas...”

– Saudações, meus jovens aprendizes – começou o Professor Quirrel em um tom seco e confiante. – Todos sabemos que Hogwarts tende a sofrer com certo infortúnio em suas seleções para esta posição, e sem dúvida muitos de vocês já estão se perguntado o que me ocorrerá este ano. Eu lhes garanto, tal ruína não será a minha incompetência. – Ele sorriu suavemente. – Acreditem ou não, já desejo há muito tempo tentar a posição de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas aqui na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O primeiro a lecionar a disciplina foi o próprio Salazar Sonserina, e até o século quatorze, era tradição que os maiores bruxos de combate de todos os cantos experimentassem ensinar aqui. Professores de Defesa do passado incluíram não apenas o lendário herói andarilho Harold Shea, mas também a ‘imortal’ Baba Yaga. Sim, vejo que alguns de vocês ainda tremem ao ouvir seu nome, mesmo que já esteja morta há seiscentos anos. Aqueles devem ter sido tempos interessantes para frequentar Hogwarts, não acham?

Herry engoliu em seco, tentando suprimir a súbita onda de emoção que lhe dominara quando o Professor Quirrel começara seu discurso. Os tons precisos lhe lembravam de um palestrante de Oxford, e Harry começava a entender que não veria sua casa ou seus pais até o Natal.

– Vocês estão acostumados com a posição de professor de Defesa sendo preenchida por incompetentes, canalhas e azarados. Mas para aqueles com alguma noção de história, o peso é de uma reputação completamente diferente. Nem todos que aqui lecionaram foram os melhores, mas todo os melhores lecionaram em Hogwarts. Em tão augusta companhia, e após tanto tempo em antecipação por este dia, eu me envergonharia de almejar um padrão que não fosse a perfeição. Portanto, pretendo que cada um de vocês para sempre se lembre deste ano como a melhor classe de Defesa que já tiveram. O que aprenderem este ano servirá para sempre como sua fundação nas artes de Defesa, independente de quem sejam seus professores antes ou depois.

A expressão do professor Quirrel ficou séria.

– Temos muito atraso para compensar, e não muito tempo para cobrir o conteúdo. Portanto, pretendo deixar Hogwarts após tê-los ensinado convenções em diversos aspectos, bem como introduzido algumas atividades extracurriculares opcionais. – Ele fez uma pausa. – Se isto não for suficiente, talvez eu possa encontrar novas maneiras de motivá-los. Vocês são os meus tão aguardados pupilos, e farão o seu melhor em minha tão aguardada disciplina de Defesa. Eu acrescentaria alguma ameaça terrível, como “se não, sofrerão um destino terrível”, mas isso seria por demais clichê, não acham? Me orgulho em ser mais criativo do que isso. Obrigado.

Então, todo o vigor e confiança pareceram ser drenados do Professor Quirrel. Sua boca se abriu como em surpresa por se encontrar repentinamente em frente a uma audiência inesperada, e ele se virou em espasmos e retornou apressado para seu assento, encurvado sobre seu próprio corpo, como se fosse implodir.

– Ele parece meio estranho – sussurrou Harry.

– Meh – disse o aluno ao seu lado. – ‘Cê não viu nada.

Dumbledore retornou ao pódio.

– E agora – disse o diretor –, antes de irmos para a cama, cantemos o hino da escola! Cada um escolhe seu ritmo e palavras favoritas, e vamos lá!




-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Lado Negro
2 percentil

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Animes de antigamente X Animes de hoje em dia

Sessão Pipoca #2: "Forrest Gump, o Contador de Histórias"